Nunca vais perceber o
que me bate dentro do peito e me invade o pensamento, nunca te vou conseguir
explicar esta coisa que não tem nome, não tem forma, não tem figura. Tem dias
que parece rosa, outros que parece preto, tem dias que parece dor, outros que
parece felicidade. É sorriso e é lágrima é doce e amargo, é coragem e medo, é
calma e inquietação é sanidade e loucura.
Nunca vais perceber o
quanto há de ti em mim, o quanto me ocupas e o quanto me entretens. Não vais
perceber nunca, porque não se vê, não se explica, não se imagina. Não vais
perceber porque eu sou pequena de mais para te explicar algo tão grande.
Nunca vais perceber nem
eu te vou poder explicar, não vou, renuncio essa possibilidade por saber que é
inútil e se alguma vez souberes do que falo saberás por ti, pela tua experiência pelo teu sentimento, nunca o meu.
Tenho búzios guardados
em caixinhas e estrelas brilhantes que me vão acalmando o coração, tenho
corações de papel em gavetas fechadas e promessas assinadas na pele. Tenho tudo
aqui. Tudo menos tu. E o tempo passa, as
conversas passam, as pessoas passam e eu continuo a embalar-te à noite,
continuo a enrolar os dedos nos teus caracóis e a adormecer com a cabeça no teu
peito. Até quanto? Até quando a minha imaginação conseguir se convencer que
ainda há um final feliz para viver. Mas por mim se fosse contigo de carne e
osso era até sempre.
Ana Rego*