Já perdi a conta à quantidade de cartas que te escrevi, muitas delas nem sequer passaram pelos teus pensamentos ou pelas tuas mãos. Conto-te o incontável o quanto te gosto, o quanto te quero bem, o quanto me dóis e o quanto me preenches a cada segundo a cada minuto, a cada dia e a cada noite.
Já te contei histórias de amor, já te contei histórias de terror, já te contei os dramas da vida e as comédias também, contei-te o meu passado, o meu presente e o meu futuro, idealizado contigo e mais uns quantos de nós. Contei-te como íamos ser felizes, como íamos chegar a casa e ver filmes à lareira e comer bolos caseiros.
Quantas histórias nos deixam viver numa só vida? Eu queria viver todas, mas parece-me que o preço é demasiado alto, vou ao menu escolher capítulo a capítulo aquilo que eu quero viver, mas não há comando que me leve para perto de ti nem para perto de nós. São só olhos inundados e palavras soluçadas entre sentimentos dúbios e amores que me sufocam o coração.
Sinto-me eterna em ti, na tua lembrança, nas tuas mãos ásperas e na tua barba afiada, sinto-me pequena e fofa quando me deixo cair no teu colo e sinto o calor da minha respiração bater-me em ricochete na cara, deixando as minhas bochechas vermelhas, como se o amor fosse aquele calor que sai da minha respiração, bate em ti e volta para mim mais quente do que nunca.
São estas pequenas coisas meu amor, pequenas coisas que me fazem limpar lágrimas incontáveis…
Ana Rego*

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