Cartas
brancas lanço ao mar
Como quem
pede tréguas ao destino,
Lanço mágoas
e dores que quero silenciar,
Peço mapas, bússolas
e um novo caminho.
Neste país
onde ter sonhos é ser louco
Eu volto e
peço um desejo na estrela cadente
São sonhos que
de nada têm pouco
São sonhos
caldos por gente dormente
Construo
castelos na areia,
Que são
levados pela corrente
Estou farta
desta gente feia
Que não fala
verdade só mente.
Gente
crente, delinquente, abstinente,
Benevolente,
obediente e demente.
Gente de
falsas promessas, de falsas conversas.
Tenho sonhos
guardados em bancos hipotecados,
Em vendas
paradas em todos os mercados,
Não temos
dinheiro no bolso
E ainda nos
chamam afortunados.
“Vai-te
embora” dizem todos de boca cheia
Vai viver a
vida para cidade alheia.
Mas não vou,
eu tenho direitos, eu tenho vontades
Eu tenho
estudos e eu tenho saudades!
Eu tenho
saudades…
Ana Rego*