Hoje escrevo aquilo que não te soube contar
Conto contos acrescento pontos tudo para te negar
Que tu sabes, que eu sei que tudo existiu
Entre trilhos e caminhos enquanto a vida fluiu,
Ou ruiu, quando te vesti o corpo com o meu gosto
Buscava-te em vão nas personagens sem rosto
E entre, tempestades e naufrágios aposto
Que já sabias que eu estava ali,
Já sabias que eu me perdi quando te vi.
Que os meus olhos brilharam com a luz dos teus
Com a luz dos meus, com a luz dos céus.
E sorriste, como quem sabe que ganhou o jogo
E eu perdi o folgo e perdi o sono, não te resisto
Mas insisto que não és homem pra mim,
Não és tão bom assim!
Mas minto, porque sinto que perdi a jogada,
Que desisti do jogo porque quero ser amada.
Porque quero ser amada.
“18 segundos” e comemos do mesmo prato,
“18 segundos” e selamos sinceridade num pacto,
18 era número que eu não queria contar,
Foram precisos 18 segundos para eu ficar sem ar,
Para voltar a respirar, para voltar a acreditar.
Mas, não há finais felizes em tão pouco tempo,
Não era o momento, não havia o sentimento,
Somos preto e branco e não existe o cinzento.
Guardo-te, no sal dos meus olhos,
No verde dos teus olhos
E nos olhos de quem te souber guardar.
Ana Rego*
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