segunda-feira, 27 de maio de 2013

Saudades



Cartas brancas lanço ao mar
Como quem pede tréguas ao destino,
Lanço mágoas e dores que quero silenciar,
Peço mapas, bússolas e um novo caminho.
Neste país onde ter sonhos é ser louco
Eu volto e peço um desejo na estrela cadente
São sonhos que de nada têm pouco
São sonhos caldos por gente dormente

Construo castelos na areia,
Que são levados pela corrente
Estou farta desta gente feia
Que não fala verdade só mente.
Gente crente, delinquente, abstinente,
Benevolente, obediente e demente.
Gente de falsas promessas, de falsas conversas.

Tenho sonhos guardados em bancos hipotecados,
Em vendas paradas em todos os mercados,
Não temos dinheiro no bolso
E ainda nos chamam afortunados.
“Vai-te embora” dizem todos de boca cheia
Vai viver a vida para cidade alheia.
Mas não vou, eu tenho direitos, eu tenho vontades
Eu tenho estudos e eu tenho saudades!

Eu tenho saudades…

Ana Rego*

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